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A Coopercuc e a Convivência com a Seca

  • 11 de nov. de 2015
  • 4 min de leitura



A reapropiação do Semiárido pelas ações da Cooperativa Agropecuária Familiar de Canudos, Uauá e Curaçá (COOPERCUR), se dá através da utilização de práticas sustentáveis, objetivando a valorização da identidade cultural com a ressignificação das potencialidades que o ambiente oferece.


Esse resgate de possibilidades pela cooperativa segue os propósitos da Convivência adaptada a realidade local, organizando dezenas de famílias rurais para a produção, beneficiamento e comercialização dos frutos nativos da Caatinga, Umbu e Maracujá do Mato. A cooperativa está localizada no norte da Bahia, Vale do sub-médio São Francisco, mais sete municípios do território de Juazeiro tem participação na cooperativa.


A convivência com o Semi-Àrido abriu o um leque de possibilidades para os sujeitos sociais se apropriarem desse espaço, resignificando-o com práticas sustentáveis e possibilitando a preservação de seus valores culturais enquanto comunidades tradicionais. Isto fica claro na fala de porto-Gonçalves (2006), quando afirma que, [...] um contemporâneo processo de reapropiação social da natureza e do território, emerge numa intenção de relativizar a relação que cada povo e cada cultura estabelecem com o espaço, com o tempo, com a natureza em geral e com a relação de cada ser específico e com suas relações entre si. É o suporte comunicacional entre povos e natureza, cujos significados e usos atribuídos aos ambientes naturais são particulares através da construção de uso de práticas coerentes para pensar, relacionar e utilizar o biológico (CARVALGO, Apud LEFF 2000).


É sob esse paralelo que as comunidades tradicionais busca na valorização da cultura local, a desconstrução estigmatizada dos povos que ali sobrevivem, uma vez que fica claro a potencialidade de riquezas naturais que o bioma do Semi-árido disponibiliza. O que justifica a desconstrução do Sertão como um local hostil, sem possibilidades para o desenvolvimento.


Os significados apropriados e explicitados sobre a natureza do Semi-árido lhe qualificaram de forma estereotipada, sendo uma natureza pobre, feia e hostil. Para Albuquerque Jr, (1999) o Nordeste foi tomado como o outro, o diferente dentro da formação política-geográfica do território brasileiro. A lógica de convivência com o Semi-árido visa focar a vida nas condições sócio-ambientais desta região, em seus limites e potencialidades pressupondo novas formas de aprender e lidar com esse ambiente [...] oportunizando organizar e criar alternativas de produção ( CARVALHO, 2004).


A valorização da natureza visa desmentificar as representações negativas desse bioma, por meio de novas relações da sociedade e natureza. Com base numa reapropiação simbólica-expressiva do espaço, sendo o território portador de significados e relações simbólicas.


Em relação ao bioma, Carvalho (2004), enfatiza a grande importância biológica e um potencial econômico ainda pouco valorizado, sendo o que referido bioma é adaptado a escassez de chuvas, com plantas adaptadas a aridez do solo, e outras com raízes na superfície do solo para absorver o máximo de água. No que tange ações da Coopercuc, cabe aqui sinalizar as linhas de convivência com a produção e criação sustentável da biodiversidade da Caatinga, pois os cooperados participam de reuniões e encontros a fim de adquirir conhecimentos e realizarem intercambio e trocas com outras comunidades.


A gestão da cooperativa é centralizada, cada mini fábrica tem sua própria produção, embora não tenham autonomia para a comercialização. A cooperativa recebe apoio da ONG italiana e patrocínio do Ministério do Desenvolvimento Agrário (MDA). Cerca de 70% da sua produção vai para CONAB (Companhia Nacional de Abastecimento), mas vale ressaltar que os lucros não são distribuídos de maneira igualitária, sendo que apenas 35% vai para os associados e o restante é para a direção.


Dentro desse contexto adverso, há inúmeros desafios encontrados pela cooperativa para a inclusão de um número maior de famílias, como incluir os jovens no processo de desenvolvimento da Cooperativa, tendo em vista que esta comtempla uma parcela pequena de moradores.


Conforme observado em campo, tem sido de extrema importância o papel da Coopercuc, no que diz respeito a sobrevivência dessas comunidades, sendo que os recursos adquiridos com a associação acaba contemplando a renda dessas famílias, que encontra neste ambiente inúmeros entraves para sobrevivência. È aí que eles encontram na cooperativa uma forma de resistir as adversidades locais, resgatando e valorizando as possibilidades que o meio ambiente oferece.


Observou-se também a desigualdade na distribuição dos lucros entre os cooperados, fato este que acaba se contrapondo aos princípios cooperativistas, pois é necessário que, além das tarefas, os lucros seja divididos de forma igualitária entre os associados. Faz-se oportuno refletir também em relação as práticas sustentáveis da cooperativa, uma vez que esta vende a imagem que produz seus produtos de maneira orgânica, mas notamos que existem vários produtos que são produzidos com a utilização de agrotóxicos, a exemplo da manga, goiaba e banana.


Com o aumento da demanda dos seus produtos e o número crescente de parceiras que a cooperativa tem adquirido, a própria acabou reduzindo a produção tradicional, que é aquela aonde se produz manualmente a partir dos saberes adquiridos e repassados ao longo das gerações, para utilizar cada vez mais maquinarias. Isto fica claro na fala da Administradora quando afirma a necessidade da construção de outra fábrica para conseguir suprir a demanda do produtor, sobretudo aqueles destinados a exportação.


Diante dessas circunstâncias, considerando-se que no modelo de produção capitalista a busca pela concentração de lucros ultrapassa o desenvolvimento e a justiça social. É necessário que a cooperativa promova uma distribuição mais equitativa, assim como uma gestação descentralizada, para que ela não se distancie dos reais valores e princípios cooperativistas.


CARVALHO, L D. Reapropiacao social da natureza: um estudo preliminar das ações de convivencia com o semiárido pela cooperativa Agropecuaria de familiar de canudos, uauae Curaçá - BA



  • Coopercuc
  • Umbuzeiro
  • Maracujá do Mato
  • Geleia orgânica de Umbu
  • Doce Orgânico de Goiaba
  • Umbu em compota
  • Doce em cubo de umbu
  • Geleia Orgânica de Maracuja

 
 
 

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